Via Crucis



E no meio do cimento dos calvários
Ergue-se o espinho da coroa
Vibrando na via de alta tensão

Sons de pétalas e chagas na ventania de sal
Cruzes de folhas
Nas partituras que nublam o céu

No corpo (A) ardencia em versos

Des-alinhados mistura de seiva bruta

vultos de cálices negros


O túnel do tempo
Fotossíntese de dias extintos em noites de lua âmbar

Mirada
Inebriada


Missa perecível
bênçãos inconstantes

Viscosas preces um Lamuriar-se

Toque de fogo
Todo este suplício de asas noturnas
Para extrair da madeira apodrecida

Meu Orgasmo dessa noite


(...)

A sílaba desgastada
em desejos libertinos

Toda pausa entoa fugidias decadências
e minha preçe é o principio do Desespero


-

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Suicídio




Suicídio











O elevado número de suicídios de escritores e pintores, bem como as vivências de angústia e sofrimento patente em muitas das manifestações artísticas, me fazem refletir






















poetas: suicidas











Florbela Espanca, Cruz e Sousa, Antero de Quental, Cláudio Manuel da Costa,Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro, Antero de Quental Augusto de cinco! Rita, Mário Eloy, Virginia Woolf, Sylvia Plath, Guy de Maupassant, Vincent van Gogh, Wladimir Maiakovski e Sergey Yêssenin e ainda outros







Existem fortes indícios de terem sofrido de doença afetiva, dependência, alcoólica ou química





R Schumman, Coleridge, Keats, Tolstoi, Verlaine, E Allan Poe, Jack London, Mozart,Malcolm Lowry, Monet,Wagner, Beethoven...













M-e parece paradoxal:









Se a criatividade é uma neoconstrução da realidade, em que o criador escolhe livremente as peças do seu puzzle, exigindo para isso plena integridade do pensamento, e, pelo contrário, o pensamento psicopatológico está empobrecido e perturbado pela doença mental









Como é tão evidente a associação entre patologia mental e criatividade?













Será que o velho mito, de que o todo artista é um louco, é verdadeiro?














Mas quando falamos de doença mental, estaremos a referir-nos a quê?



E de que maneira essa patologia influencia a criação artística?











Dois estudos norte-americanos chamam a atenção


O primeiro procurou estudar o chamado pensamento Janusiano

(do deus romano Jano, representado com dois rostos, um de jovem e outro de velho)

Em que palavras, idéias ou imagens antitéticas são conceptualizadas simultânea ou sucessivamente, surgindo depois à criação (ou síntese) como resultado desse confronto







Quatro grupos estudados:



um grupo de cientistas galardoados com o premio Nobel]

Um grupo de doentes mentais

Um de indivíduos bastante criativos

E outro de indivíduos pouco criativos




Foi o grupo dos indivíduos mais criativos, ou seja, o dos cientistas do Nobel, que obteve as cotações mais elevadas no teste de associação de palavras





Os doentes mentais obtiveram as cotações mais baixas

colocando-se os indivíduos criativos e os pouco criativos numa posição intermédia

Concluindo que:




O pensamento criador e o pensamento psicopatológico são coisas diferentes







Com efeito, ao avaliar a incidência de doença mental num grupo de trinta escritores contemporâneos e um grupo com estatuto social e Q. I. semelhantes, observou-se, que os escritores tinham uma maior prevalência de doença afetiva, sobretudo bipolar





A esquizofrenia primava pela ausência, solidão, e angustia...


Um outro estudo procurou analisar a patologia mental de 13 escritores suicidas, tendo verificado e igualmente uma elevada incidência de doença afetiva depressão, e ainda alcoolismo em cerca de um terço dos casos



Nesta ordem de idéias, até que ponto a vivência depressiva e a temática de perda eram visíveis na poesia contemporânea(?)




Escolhi duas antologias,:


"Edoi Lelia Doira", de Herberto Hélder, que engloba poetas desde a segunda metade do séc XIX até à atualidade



E outra de caráter diferente, o Anuário de Poesia de Autores não Publicados, e curiosamente, em ambas encontrei uma percentagem semelhante das onde a temática era claramente de perda, de luto, de angústia (cerca de 2/3)




Dos 18 poetas selecionados por H. Hélder, sete sofriam, de acordo com a resenha biográfica, de alguma forma de doença mental:




suicídios

















Internamento/psiquiátricos



Alcoolismo



Dependência/química, etc



















E quanto à pintura?



Será que através da abservação de uma obra, poderemos inferir algo acerca do estado de espírito do seu criador?



Observem os quadros






Picasso, "Vidas", da sua fase azul uma tela de Eu Greco, "Toledo numa noite de tempestade" a "Romaria de Santo Isidro", da série "Divertimentos Populares", de Goya, logo após a sua surdez (“Mistério e melancolia de uma rua”, de Chirico, e ainda uma pungente escultura de Kienholz, “Alegria de viver” com a tela “Paraíso”, de Kandinsky “O Vermelho é a crista do galo”, de Gorky A noção de bipolaridade entre estes dois grupos de obras é quase instintiva)




Mas será que estes quadros, por mais sugestivos ou reveladores que sejam de um determinado estado de espírito do seu criador, poderão ser considerados pelos psiquiatras como um elemento de diagnóstico de doença mental, nomeadamente de depressão(?)



Se observarmos a produção artística de doentes sofrendo de patologia afetiva, e que não são artistas tem pouco impacto emocional, é pobre do ponto de vista artístico Um deprimido com ideação suicida é reveladora pela sua temática



A representação gráfica de caixões, pedras tumulares, cruzes, coradas pendentes e outros símbolos da morte na nossa cultura deverão alertar para a existência de idéias de suicídio











O mesmo se passa, aliás, com a expressão poética:


um estudo de Sharlin sobre poemas de jovens que posteriormente se suicidaram, quando comparadas com as de um grupo de controle, revelou diferenças semânticas significativas


Um doente deprimido, revela, segundo os autores do estudo, um pendor suicida. Este tipo de elementos aparece freqüentemente na pintura destes doentes, como se fosse uma metáfora:

Um sol de cores violentas, uma estrada que parece caminhar para ele. Tentadora a analogia destes elementos gráficos com um poema de Sylvia Plath, (poetisa que veio a suicidar-se)



Um dos últimos quadros de Van Gogh, pintado poucos dias antes de se suicidar




O famoso “Gralhas no trigal"



Curiosamente, a sua estrutura é semelhante à atrás descrita.

Aqui, um outro exemplo da obra de um doente sofrendo de depressão e idéias de suicídio:

O sol, os diversos símbolos da morte, o rio, ou a estrada, entre montanha



Nada, porém, comprova a existência de sintomatologia depressiva na altura em que foram pintados Apenas afirmo que essas experiências de horror foram transmutadas, pulverizadas e reconstruídas, mas de tal maneira que o sentimento que transmitem é diferente do das telas de deprimidos


A existência das metáforas pictóricas a que aludi, quer na pintura, quer na poesia, constituem um tipo de comunicação não-verbal que convém saber reconhecer



As vivências experimentadas nas fases depressivas

(angústia, desespero, aspectos fóbicos, obsessivos e paranóides, perda da auto-estima, agressividade, sofrimento, entre outros),

também nas fases hipomaníacas ou mesmo maníacas

(felicidade, perfeição, clareza, exuberância, desinibição, etc.),

Todas essas vivências ampliam o universo emocional do artista, vindo posteriormente a ser utilizada na criação. Muitos autores, sugerem que a "lucidez" da depressão, i.e. todo aquele material que é ruminado, mas não rentabilizado devido à inibição psico-motora e aos aspectos da distorção cognitiva que ocorrem durante uma fase depressiva, dá depois os seus frutos numa fase de hipomania





O processo criador aparece-nos como uma magnífica estratégia para lidar com a depressão, com os sentimentos de perda de auto-estima e do sentido da vida, com a tristeza e com a revolta, até mesmo com a própria ideação suicida





Ao criar, o artista dá à luz os seus monstros escondidos. O fato de serem descobertos ou revelados retira-lhes alguma da carga emocional que contêm: no fundo, o mesmo efeito se obtém com a chamada psicoterapia de apoio, ou inespecífica







Não é, pois por acaso que se fala tanto em exorcismo ou catarse, acerca do ato criador, e que tantos artistas dão testemunho desse alívio







Goethe, ao escrever o seu Werther, exorcizou os seus impulsos suicidas, provavelmente salvando a própria vida




Esta conceptualização das relações entre doença afetiva e criação artística, é apenas um dos níveis de leitura da complexidade do artista e da sua obra




















































E eu

sou a seta,

o orvalho que voa

suicida, em uníssono com o ímpeto

para dentro do olho

vermelho, o caldeirão da manhã

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Sylvia Plath















Ensaio feito a partir deste estudo
Doença/afeitvidade/criatividade

MAIÊUTICA







































"Cada alma deve escolher o Génio (Demónio) que a acompanhará na sua existência"









Em grego "arte de dar à luz"


Sócrates filho de uma parteira declara ter a qualidade de ajudar a "dar à luz"


["alumiar"]











Os espíritos -- isto é de contribuir para que cada qual encontre a verdade através


das suas próprias forças sem que ela lhe seja ensinada ou transmitida.






Cada alma deve escolher o Génio (Demonio)



Que a acompanhará na sua existência entre uma série de escolhas cuja ordem


foi tirada à sorte. Uma vez realizada a escolha toda a existência é necessidade




Estamos condenados a ser livres «O homem está condenado a ser livre».




Se a vida não tem à partida um sentido determinado — já que não há um deus que lho dê.


Então nós não podemos evitar criar o sentido da nossa própria vida. Por isso estamos condenados à liberdade. A vida obriga-nos a escolher entre vários possíveis.


Podemos criar jardins ou campos de morte.




Nada nos obriga à partida a escolher uma coisa ou outra. Mas ser livre significa que somos


nós e só nós os responsáveis pelas escolhas que fazemos.




Refugiarmo-nos numa suposta ordem divina mostra apenas a incapacidade para arcar com


a responsabilidade das nossas próprias decisões.




Não há álibis. Mas a incapacidade de lidarmos com as consequências da nossa absoluta


liberdade e da nossa responsabilidade absoluta está na origem da má-fé.


[Sartre]














A má-fé é um tipo de auto-ilusão..


Que sentido pode ter tudo isto se estamos condenados ao nada?


A vida humana encontra-se permanentemente no limiar do absurdo!]

















E assim absurdamente o mundo "És tu"








Nenhum assunto pode aspirar a ser mais do que mero detalhe esfumado quando


tu estás presente em mim e mesmo quando não estás






"Porque então é quando penso em ti”




E mais ninguém me desperta genuína dedicação


Não há assuntos elevados não existem questões minimamente importantes




Tenho vertigens de ti e sinto incrivelmente reais os teus nos meus braços


E porque te sei de cor nasceu-me um holograma teu junto ao peito



[Sinto-me fora do mundo]








É evidente porque não existe luz suficiente nem existem contornos precisos fora


de ti também não é possível focar qualquer outro ponto








É perfeitamente claro que o mundo



"És tu e o tempo/espaço"












Nada sabe o tempo não tem razão ele nunca existiu é nossa invenção Se abandonarmos


as horas não nos sentimos sós o tempo somos nós a nossa história começa na total escuridão Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão




O espaço tem o volume da nossa imaginação.































"L'absurde naît de la confrontation de l'appel humain avec le silence déraisonnable du monde." Albert Camus















A vida basta-se a si mesma e não tem qualquer necessidade de ser explicada


ou fundada num além dela mesma a única verdade é que vivo sinceramente, eu vivo.










Quem sou ? bem, isso já é demais" ...


(Clarice Lispector)


Reflexos (1+1 = 1)






Ahhhh!!! monólogo





Por que escrevo?
Pra me sentir viva!!!

pra (Te) sentir perto


























Olhei-me no espelho
Olhei-me longamente







Vi .. estava lá







O quê?







você em mim










Tenho o ventre cheio de palavras
Não se expelem parto dificil


Enchem-me de sons de silêncio
que sei (me) dizem tudo

Q-preciso saber..







Mas e o resto..?






Não precisamos da (segurança)
do Resto do depois..






Enquanto isso..



Embalo-te num afago e sei
que a tua dor será minha
Afinal estamos juntos no
abismo da vida










R-e-f-l-e-x-o-s







“Nunca houve corações mais abertos nem gostos mais semelhantes ou sentimentos mais em sintonia”
[a casa do lago]









Só tu pode entender
os beijos que te dou
nas palavras em que me escrevo

Só tu poderá carregar a minha
DOR contigo ela esta nos teus (genes)








Dor [?]




"O sentir dessa dor é inegável e ela é irreprimível; ela existe e age. Mas seu desejo é minha
paz, meu comprimido, meu calmante, o som do violino, minha melodia, minha noite de sono, minha Endorfina... Ele faz com que me sinta bem, mantem-me forte dando-me prazer e vontade de viver (meu) Lenitivo.."


















Tua imperfeição perfeita
Fogem-me as palavras




Decifrar vc seria limitar teu (ser)
Q-é de natureza Livre forte como os tufões



Repouso no teu colo
e beijo-te os dedos faminta








Só tu
Só tu







Me faz esquecer as vãs filosofias





Se pudesse abrir teus espaços decifrar-te a imensidão dos segredos a nulidade da perspectiva
s
e pudesse tão só descobrir o momento que transformou a regularidade dos meus olhos na matéria fragmentada destes espelhos existem desejos pequenos e imutáveis que se transformam nas linhas que definem o indefinível









Tu existes no desejo/espelho do que sou eu
O reflexo teu tornou-se NÓS











(Tu)




Que tentas compreender como o reflexo que viste em mim é essa parte de ti
decifrando minhas palavras IN-ventadas meus meios sorrisos assim
(Tu) cresceste de fora e para dentro do espelho em mim c
riaste fios cordões
umbilicais intermináveis espasmos de luz/paz






Tornaste-te o Reflexo







Deixaste de ser Tu metamorfoseaste-te
em mim te recrio no que escrevo


Os teus olhos e os teus silêncios
te sei de cor/até teu gosto













Escrevo na parede
da loucura:



Onde estás quando preciso de ti ?]
Estás infinitamente longe


Quando
preciso de de mim?]

























Apenas Sinta

Vou soprar para a tua boca
Para dentro de ti

Tudo o que não consigo expressar-te!

Se não conseguires suportar
o peso a força e a verdade
das palavras mantém-nas na
tua língua morna como que
adormecidas e se alguma vez
sentires dúvidas ou saudade
Fecha os olhos e humedece os
lábios com a língua assim poderás
lentamente e sempre que precises
Saborear cada palavra que te soprei













"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: Quero é uma verdade inventada
Clarice Lispector"

Sadomasoquismo Nu x Cru..




Acostuma-te a lama que te espera!

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O Homem que, nesta terra miserável, Mora entre feras
sente inevitávelNecessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!O beijo, amigo



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É a véspera do escarro.



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A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga


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Escarra nessa boca que te beija!


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Versos Intimos/Augusto dos Anjos










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O poeta fala em 'quimera' que, em sentido figurado, quer dizer 'imaginação; fantasia, utopia, sonho'. Ninguém assiste ao 'enterro' das nossas ilusões quando frustradas pela Ingratidão que

no poema, aparece personificada numa pantera – símbolo também de pessoa cruel.







Na segunda estrofe, a falta de fé generaliza-se em imagens de lama, terra miserável e feras. Tudo isto como um imperativo que dissemina o mal de tal maneira que a gente até se arrepende do bem que já fez. E esta é a tônica arrematada nos dois tercetos seguintes








Na imagem do eu tomando um fósforo e acendendo um cigarro, lembro-me dos versos de Mário de Sá Carneiro: 'Sou [...] pilar da ponte de tédio que vai de mim para o outro'.








Quando esse pilar despenca, o tédio necessita de um suporte que pode ser o outro. Ilustrando bem a idéia de Augusto dos Anjos, quando não há mais outro a quem se possa chegar, sustenta-se o tédio da vida com o fósforo, cujo fogo potencial executa somente o acender de um cigarro, símbolo da solidão ou da liberdade, a que, segundo Sartre, estamos 'condenados'.








Os versos finais do poema são belíssimas construções que até compensam a tristeza: 'O beijo, amigo, é a véspera do escarro' – gradação que vai do carinho ao seu paradoxo, o nojo da traição; 'A mão que afaga é a mesma que apedreja' – um único sujeito para ações antitéticas.







A estrofe final é um conselho do poeta àqueles que ainda são alvo da suposta piedade alheia, para que apedrejem e escarrem primeiro, não se iludam com a solidariedade de ninguém, nem com afagos e beijos.





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Demonstrar confiança não é deixar-se ser (monitorad0)

Isso é uma Quimera..



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Senha do orkut, do msn, do banco ou do 'diabo que os carregue', para assegurar o atestado de beijos e afagos, para alimentar as quimeras da posse masculina





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A lama e a fera que neles habita. Lembro também da ingenuidade – pra não dizer burrice mesmo – dessas mulheres que pagam o maior mico e só descobrem o papelão que fizeram, ao não escarrarem primariamente na boca que lhes beija, depois que meio mundo já conhece o afago da mão vil que elas acreditam (ou fingem) ser exclusivamente delas.




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http://www.youtube.com/watch?v=waCH24gAJx4

(Jewel Foolish Games )

Antropofagia x Reflexo

http://www.youtube.com/watch?v=swkT07TP-mo



























Antropofagia..











(...) O intelectual inapetente recupera o prazer de comer, porque amplia-se para ele o
significado da palavra fome a fome se torna fome de sentido. não se trata, agora, da
relação entre sujeito e objeto, mas entre dois sujeitos. Não quer comer cadáveres,
quer devorar o “espírito” do animal

















A antropofagia é um sistema movido em nossa sociedade pela atração e pelo
antagonismo A proposta antropofágica pendular oscila entre destruição e construção

São três as fases da antropofagia: orgânica diagnóstica e terapêutica A metáfora orgânica prima pelo primitivismo psicológico e valorização dos estados brutos da alma coletiva. Ritualística e cerimonial esta fase da antropofagia é praticada Ao deparar-se com “seres de élan superior”
ele funde-se ao outro e obtém a energia mítica advinda da alteridade transformada em totem







A antropofagia terapêutica de sentido catártico propõe a liberação do instinto antropofágico recalcado Hannibal pratica a antropofagia terapêutica como choque denunciativo capaz de demonstrar a necessidade de extermínio do corpo corrupto para libertar o homem superior primitivo Horror ao ser ignóbil e prazer advindo de seu extermínio compõem a terapia de Hannibal. Destruir o outro inferior e recuperar a superioridade da tribo sociedade é intenção
de Lecter









“Um olhar pode mudar a vida de um homem?















Não falo do olhar do poeta que depois de contemplar uma urna grega pensou em mudar de vida. Refiro-me a transformações muito mais terríveis.”(Fonseca)





Um olhar: outro olhar – o olhar




[Reflexo x Simbiose]

















Do olhar é à força do sensível do grotesco ao primitivo o processo gradativamente anuncia a idéia de canibalismo O retorno ao primitivo ritualístico concretiza-se na seleção do ser superior forte capaz de oferecer entusiasmo criador











(Fonseca)
Escolhi entre várias que nadavam nervosamente no aquário, uma truta parecida com a primeira
na cor na elegância dos movimentos e mais que tudo no brilho significativo do olhar.











Quando a colocaram no prato senti um frisson tão forte que temi que os ocupantes das mesas
vizinhas o tivessem percebido. Ao comê-la, tive a alegria de poder confirmar que seu gosto era
deliciosamente igual ao da primeira.
Minha vida mudou depois desse dia. Dispensei Talita de fazer o suflê. Saía todas as noites para jantar num dos restaurantes com aquários.

























PS:Seria um gosto Divino..?




A presa é alimentada e a observação prazerosa deste ato desencadeia um novo traço semântico à frase “arte é fome”















Fiquei vendo meu rosto no espelho Olhei meus olhos Olhando e sendo olhado uma coisa afinal irrefletida um eixo de aço lava de um vulcão sendo expelida nuvem infindável. O olhar.
O olhar.” (Fonseca)



































































“O reconhecimento da alteridade no espelho”
“Semanticamente voltados para o irracional e o inexplicável”











“Olhar” revisita o sentido puro e a inocência construtiva do estético e da arte para a construção de sua própria alteridade




























Hannibal x Clarice Starling
Por Que ele não matou Clarice..?

















(...)

































O olhar intrigante de Hannibal remete à analogia perdida e conscientemente buscada pela personagem Clarice em suas ações de depuração da sociedade a relação do racional culto com o irracional animalesco








“Há volteadores curtos e longos Não se pode cruzar dois volteadores longos A cria faria uma volta tão longa quebateria e morreria A agente Starling era uma volteadora funda e longa"





Starling é espécie geneticamente superior Sua alma possuia marcas de extensidade (longa) e intensidade (funda) traços que seduzem Lecter







"Jack Crawford mandou você para Acha que é porque eu gosto de olhar para
você e imaginar como deve ser saborosa, Clarice?” (Hannibal, 2001)





Sabor e desejo são marcas dos seres superiores selecionados por Lecter “Olhar” O desejo dos antropófagos é de preservação Starling refletia a memória do vôo da pomba volteadora..






































"Um homem pode tornar-se obcecado por uma mulher a partir de um único encontro"
“E sentir diariamente uma pontada de fome por ela e saciar-se apenas com a visão”
[Hannibal]


































Allegra refere-se à paixão de Dante por sua musa Beatriz Lecter instaura ambigüidade
e o paradoxo desejo de (Absorvê-la e conservá-la)
Enquanto Lecter poetiza sua relação Starling investiga os motivos que o levam ao ato:








Clarice, nomeada pelo Guinness Book como “a agente do FBI que mais matou gente” não come literalmente carne humana, mas pode matar de forma legalizada e ser recompensada por isso. Lecter expõe a antropofagia clariceana nas observações seguintes:



























































“Não sente os olhos movendo-se pelo seu corpo, Clarice?
Não poderia deixar de sentir. Seus olhos não se movem sobre as coisas que deseja?...



Clarice, já quis ferir aqueles que a fizeram considerar isso?
É perfeitamente aunaturel querer saborear o inimigo”

































O conhecimento e seleção do outro para a construção de uma identidade íntegra, o que, no caso do narrador do conto, encontra-se no contato com o olhar dos sujeitos a serem saboreados. Quanto mais vivaz e sedutor for o olhar, mais digno de preservação.




No caso do psiquiatra Hannibal, está na relação com seres sórdidos que formam obstáculos aos seus desejos de construção de uma existência perfeita e pura. O traço de preservação da alteridade por Hannibal está na proteção à integridade da agente Starling, pomba volteadora e símbolo da inteligência do FBI











































“Assimilação da alteridade para a construção de sua identidade”



[Reflexo x Simbiose]
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Fragmentos:Rubem Fonsecas “Olhar"/Romance negro e outras histórias


Nunes Benedito. “Antropofagia ao alcance de todos"

(A) - Loucura








"É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja"
Demóstenes













Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o seu corpo?

E tomar a forma dos objetos?


Sim?


E acender relâmpagos no pensamento?


Também

E às vezes parecer ser o fim?


Exatamente

E depois mostrar-nos o que há-de vir muito melhor do que está?

E dar-nos a cheirar uma cor que nos faz seguir viagem sem paragem nem resignação?

E sentirmo-nos empurrados pelos rins na aula de descer abismos e fazer dos abismos
descidas de recreio e covas de encher novidade?

E fazer frente ao impossível atrevidamente e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe a ponto do impossível ficar possível? E quando tudo parece perfeito poder-se ir ainda mais além?

E isto de desencantar vidas aos que julgam que a vida é só uma?

E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?


Tu Só loucura


És capaz de transformar o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais Só tu és capaz de fazer que tenham razão tantas razões que hão-de viver juntas

Tudo exceto tu é rotina peganhenta Só tu tens asas para dar a quem vier buscar o amago do mundo é irracional, fundamentalmente oposto à inteligência e à razão


{Ouvi dizer que, muito provavelmente, esta noite vai haver um temporal}

Não sabem o que dizem!!

Esquecem-se de todos aqueles que vivem constantemente numa tempestade interior devastadora, que os faz tombar, mesmo antes de conseguirem erguer-se e que sentem no cérebro um remoinho líquido em que todos os pensamentos se dissolvem

























"Todo desejo é sofrimento, pois é a expressão de algo que nos falta e de que necessitamos com urgência. E enquanto o desejo é infinito e eterno, a satisfação é limitada e breve quanto maior a sensibilidade, tanto maior o sofrimento"
Schopenhauer